Entender as pessoas e como elas se relacionam com bens e serviços, é chave para a realização de projetos realmente bons. Dentre as diversas ferramentas utilizadas para isso, as Entrevistas em Profundidade são sem dúvida uma das técnicas mais utilizadas, e saber como conduzi-las da melhor forma é essencial.

Sabemos da necessidade de analisar, aprofundar e coletar informações e percepções para se conectar genuinamente com os usuários, estabelecendo, assim, um campo de empatia e compreensão com o que eles pensam e sentem. A forma como uma entrevista em profundidade é guiada pode trazer informações riquíssimas para a organização sobre as demandas desses usuários, gerando insights que possibilitam desenhar soluções mais assertivas.

Para nos contar sobre essa técnica de pesquisa tão importante para compreensão dos usuários, convidamos Pedro Ungaretti para falar sobre o assunto. Com mais de 10 anos de  experiência em Design e mestrando atualmente gestão de design em startups, Pedro já circulou por várias áreas: identidade visual, branding, UX e gestão de produtos.

Hoje, Pedro é facilitador do curso de Entrevistas em Profundidade na Livework Academy e head de produto e cultura na Hondana, plataforma que atua em inovação no aumento de performance comercial e vendas, onde usa as ferramentas de Design Thinking e Lean Startup para desenvolver equipes, projetos e produtos. Confira a entrevista a seguir:

 

Livework: Como você define entrevista em profundidade?

Pedro Ungaretti: Entrevista em profundidade é uma conversa em que uma pessoa quer aprender algo sobre outra. Quem entrevista usa um roteiro de temas e perguntas para guiar o papo, mas não se prende a ele, podendo improvisar para explorar informações novas que surjam durante a conversa. 

 

L: Em que situações a entrevista em profundidade é ideal? 

P: Ao meu ver, não há uma situação ideal específica, mas sim uma grande diversidade de situações para o uso de entrevistas em profundidade. Tudo depende do problema a ser resolvido e dos objetivos que você tem!

Por exemplo, designers as utilizam bastante em fases de pesquisa exploratória, para descobrir o que usuários e usuárias pensam e sentem. 

Mas você pode extrapolar o campo do Design e usar essas técnicas em RH de empresas, por exemplo, no processo de recrutamento e também coleta de feedback da equipe. 

Se você trabalha com vendas, a entrevista é um excelente meio para entender as necessidades de clientes em potencial e assim saber como melhor ofertar seu produto.

Entender como entrevistar alguém também é ótimo para gestão de pessoas, ao fazer um 1-1 e conseguir explorar, junto com a pessoa que reporta para você, ou quem te lidera, algum ponto sensível do trabalho.

No curso, a gente se concentra em entrevistas no contexto do Design, mas as possibilidades de uso de técnicas de entrevistas em profundidade vão muito além desta área.

 

L: Por que é importante estar preparado para realizar uma entrevista?

P: Por alguns motivos, dentre eles:

Preparação faz com que sua entrevista seja focada na pessoa, e não em você. Algumas das etapas de preparação para entrevistas têm como objetivo que você se entenda, deixando claro para você e sua equipe quais são as opiniões e vieses que vocês estão levando para a pesquisa. Isso é essencial para ter uma entrevista isenta e focada na pessoa.

Entrevista é um meio, não um fim. Ela serve para você coletar informações e aprender sobre seu público. Assim, sem o preparo adequado, você pode voltar da entrevista sem as informações necessárias para o seu projeto. Ou, pior ainda, com informações erradas, que podem direcionar o projeto para direções equivocadas.

Pode ser bem difícil conseguir entrevistar quem você precisa. Portanto, estar preparada te permite aproveitar ao máximo aqueles minutos que você tem com aquela pessoa, naquele lugar, naquele momento que foi tão complicado de conseguir.

 

L: Qual foi a situação mais complicada que você se deparou em uma entrevista? Como solucionou?

P: Foi em um call center, entrevistando operadores e operadoras. O coordenador da equipe era nosso contato responsável por organizar a dinâmica, trazendo as pessoas até a sala em que minha colega e eu estávamos.

Foi complicado porque:
Elas trabalhavam sob bastante pressão de tempo, com fila de atendimento, pausas contadas e cronometradas. Por conta disso, precisávamos quebrar a ansiedade inicial e medo de que a entrevista as impedisse de cumprir a meta daquele dia.

Outros desafios foram lidar com o coordenador, que ficava presente e completava as respostas dos entrevistados, e o perfil bem variado dos operadores e operadoras, em relação a faixa etária, intimidade com tecnologia, vontade de conversar…

Como contornamos essas questões:
Negociando uma dinâmica com o coordenador: ao início, ele tranquilizaria a pessoa em relação à sua meta. Em seguida, ficaria atrás de um computador, fora do campo de visão da pessoa entrevistada e não interromperia a conversa. O ideal seria tê-lo fora da sala, mas foi suficiente para que as entrevistas fluíssem e nos trouxessem as informações que procurávamos. Por fim, adequamos as perguntas e o modo de perguntar a cada pessoa na hora, de acordo com seu perfil.

 

L: Sobre rapport: o que significa, por que ele é importante e como criar um? Você fala sobre isso no seu curso?

P: Sim, falamos sobre rapport no curso! rs

A definição de rapport que usamos no curso é o conjunto de ações que uma pessoa toma, consciente ou inconscientemente, para se conectar com a outra. Na entrevista, usamos técnicas de rapport para que a pessoa entrevistada se sinta à vontade e assim compartilhe o que pensa e sente sobre determinado tema.

O objetivo, no contexto da entrevista, não é criar uma relação de simpatia ou amizade entre as partes (fala-se muito do uso de rapport para isso), mas sim trazer uma autoconsciência forte, para quem conduz a entrevista, sobre fatores que podem influenciar uma resposta. 

 

Quer aprender na prática as principais técnicas de Entrevistas em Profundidade com o Pedro Ungaretti? Inscreva-se na próxima turma do curso que acontecerá nos dias 23 e 30 de julho na Livework Academy. Para mais informações clique aqui.