Como foi sair de uma empresa tradicional para uma consultoria de Design de Serviço.

Tenho 21 anos, sou brasiliense e moro em uma das maiores cidades do mundo, onde estou concluindo minha primeira graduação em Design Visual. Depois de dois anos de aprendizado em uma grande instituição cultural, aprendi muito sobre a parte criativa, visual e comunicativa. Precisei de um grande tempo para me acostumar com o sistema hierárquico, a forte pressão no cumprimento de horários, trabalhos individuais e gestão integral desses projetos e, foi nesse momento, que a curiosidade pela parte estratégica e de pesquisa nasceu.

Então me questionei, “Qual será o próximo passo para atuar como um designer mais estratégico?”, levantei uma série de hipóteses e entre elas estavam as mais convencionais como Agências, Escritórios de Branding e Consultorias Administrativas. Pedi ajuda a alguns professores, orientadores e amigos, foi quando uma professora, e até então orientadora de TCC, Gisela Schulzinger, me falou sobre uma consultoria chamada Livework. Me inscrevi no processo de estágio e recebi uma proposta.

Depois de 4 semanas iniciei meu primeiro dia como estagiário. Conheci os liveworkers que, diferente de como era em meu antigo estágio, tinham um estilo muito pessoal e vinham das mais diversas partes do Brasil. Demorei um pouco até conhecer todo mundo, pois algumas pessoas trabalhavam remoto, até mesmo de outras cidades.

O ambiente

Na minha primeira visita me deparei com o seguinte ambiente: Longas mesas brancas, algumas poucas pessoas sentadas lado a lado com seus notebooks, o sol atravessava os grandes vidros transparentes e iluminava toda a sala que mais parecia um grande loft americano, com largas paredes brancas que nem precisavam de cor, pois estavam cobertas de post-its coloridos. Ao redor também vi puffs, um espaço com video-games e, curiosamente, também tinha pelo menos duas camas de cachorros no chão. Ao final, o que mais me surpreendeu foi que não existia uma sala separada só para o CEO. Simplesmente todos se sentavam no mesmo espaço e se tratavam de uma mesma maneira. Isso, como meu entrevistador bem disse, se tratava de uma hierarquia horizontal.

A hierarquia

Se você já trabalhou em uma empresa ou instituição fundada na década de 40, como no meu caso, ou qualquer empresa fundada por pessoas com um pensamento mais tradicional e hierárquico, vai entender do que eu estou falando. Em boa parte delas existem salas individuais ou, no mínimo, são divididas por departamentos; Os horários de entrada são muito bem definidos e os de saída nem tanto; O acesso aos CEOs, diretores e diferentes chefes de equipes quase sempre são bastante limitados, o que acaba fazendo com que ruídos na comunicação não sejam incomuns, não importa quão bom o departamento de R. H. seja.

Em contrapartida, aqui a Employee Experience é levada muito a sério. A Livework não é uma consultoria que utiliza a abordagem do Design apenas para os clientes externos, mas que tem a empatia, a colaboração e a experimentação totalmente presentes em sua cultura interna. Todos estão sempre no mesmo ambiente, não existe um lugar fixo para se sentar, um computador que “seja seu” e muito menos uma sala individual. Aqui foi a primeira vez que a palavra compartilhar fez sentido de modo integral para mim. Todos cuidam do lugar como um só: O que você usou, guarda; O que sujou, limpa e assim por diante. Existe um contato mais humano com os líderes e isso inclui os sócios. Todos têm acesso igualitário às salas e existem diversos canais para que o conhecimento seja compartilhado ao máximo e esteja disponível para todos.

O modelo de trabalho

Quando eu entrei a primeira coisa que ouvi – e de diferentes pessoas –  foi: “não espere que ninguém te diga ou dê o que fazer”. Quando me disseram isso pensei que fosse da boca para fora, algo que aconteceu bastante nos meus estágios anteriores, mas logo nos primeiros dias percebi que não era o caso. Na Livework, todos têm voz, não importa se você é líder de projeto, membro da equipe ou estagiário, todas as visões são consideradas e isso torna os projetos verdadeiramente diferentes. Entender que você não é só mais um que ocupa espaço e que tem o seu trabalho verdadeiramente valorizado torna tudo mais pessoal e animador.

Recordo de um momento que aconteceu em uma empresa que trabalhei, em que um pouco antes do final de uma reunião de alinhamento, quando minha palavra havia terminado, me retirei da sala e, logo após isso, uma supervisora me repreendeu por ter saído antes da palavra dela terminar. Essa memória me veio à mente quando em uma das primeiras conversas com um dos líderes na Livework ouvi que “ninguém deve estar aqui apenas para esquentar a cadeira, nós prezamos por desenvolvimento e não por presença”. Eu não demorei muito para entender que aqui atitudes não devem deixar de ser tomadas por receio de ser repreendido, baseadas em agradar ou não alguém e que, se você cometer um erro, não precisa esperar até a temida conversa de “feedback”.

As equipes

Para cada projeto, as equipes são montadas considerando as habilidades de cada pessoa a fim de formar um time multidisciplinar. Todas possuem um líder que tem como responsabilidade organizar o tempo de cada etapa, o budget do projeto e grande parte da comunicação com o cliente. Mas essa posição de líder não funciona como se ele fosse um “chefe”, isto é, não é como se você precisasse prestar contas de cada coisinha que você faz, mas todos têm autonomia para compartilhar ideias, opiniões e pensamentos sobre cada situação, criando um ambiente onde todos se sentem seguros para contribuir de maneira colaborativa e, assim,  obter os melhores resultados.

Um lugar que inspira, e é por isso que eu estou aqui.

Durante muitos anos eu ouvi muito sobre inovação, tanto em aulas na faculdade, como nas agências e nos departamentos de RH. Mas isso ficava sempre só no discurso, que ou era esquecido ou não era acompanhado de um plano de ação. Aqui na Livework, as coisas dificilmente ficam apenas na discussão. As pessoas não cobram coisas que não fazem. Têm iniciativas que em grande parte são abraçadas pelo grupo e quando é necessário atitudes são revistas deixando o orgulho, cargo e experiências de lado. Eu acredito que é assim que começa a busca por inovação, afinal, como inovar em um lugar onde não se tem espaço? Como propor ideias quando ninguém se apoia? E como plantar mudanças se a hierarquia não permite?

A Livework desconstrói essas barreiras, tornando tudo fluido. E o tempo que se gastaria tentando quebrá-las é investido em desenvolvimento pessoal e profissional. A Livework forma pessoas, você não precisa ser o melhor, mas estar disposto, tirar a armadura e mostrar a que veio, sei que será uma trajetória longa, mas que será divertida. E para encerrar gostaria de deixar uma frase que ouvi recentemente e que expressa exatamente o que tenho vivido:

O que eu ouço, me esqueço.

O que eu vejo, me lembro.

O que eu faço, entendo.

                                – Lao Tsé

 

Jeff Avelino