Em 2007, uma startup ainda desconhecida se apresentou para o mundo na 20ª edição de um evento que tem se tornado o queridinho do mundo da inovação: o South by Southwest (SXSW). A empresa estava propondo o registro e compartilhamento de pensamentos rápidos, em poucas palavras. O nome dela? Twitter.

Por mais que tenha começado sendo um evento apenas de música em 1987, hoje ele se expandiu para todas as áreas imagináveis, sendo um exemplo claro disso a edição para a Educação, que acontece uma semana antes do braço de Interação do qual participamos e foi brilhantemente coberta por nossos amigos do LabEducação.

Nossa equipe esteve semana passada neste que é o maior evento de música, filmes e interatividade para saber o que impactará o nosso dia-a-dia de serviços daqui pra frente. Como nossa equipe também ouviu muita música nestes 10 dias em Austin, sugerimos que você leia o post ouvindo nossa seleção musical com artistas que participaram do evento.

Austin, fervendo.

É incrível como a cada ano que passa Austin tem arrastado para si o epicentro do mundo da inovação, design e startups de lugares como o Vale do Silício e Nova Iorque. Hoje a capital do Texas é uma cidade diversa, fértil e hospitaleira com opções para todos os gostos e pronta para fazer negócios. Nas últimas décadas ela tem se preparado e semeado uma terra que hoje está colhendo muitos frutos e se tornou uma das cidades mais empolgantes dos Estados Unidos. Se até a Apple decidiu fincar seu pé lá com um super “eco-friendly” campus, quem somos nós para não se render a cidade?

O Mundo conectado

Os celulares mudaram a maneira como interagimos com o mundo. Alguns dizem que eles nos aproximam das pessoas que estão longe mas nos afastam das que estão ao nosso redor. Fato é que o que há 5 ou 10 anos parecia ilusão até mesmo para os americanos tem rapidamente se tornado possível, viável e real. Acontece que ainda estamos aprendendo a conviver e nos adaptar a muito do que nos tem sido proposto e, por sua vez, as empresas tem tentado aprender como tirar melhor proveito dessa nova ordem mundial. O que finalmente saiu do mundo conceitual ou experimental e começou a apresentar resultados é a utilização de BIG DATA para transformar a maneira com que as empresas conquistam e se relacionam com seus consumidores. Leia aqui, aqui e aqui resumos sobre algumas das palestras que trataram do tópico e mostram como o conceito irá certamente afetar o nosso dia-a-dia.

Mais um aplicativo? Não.

Muitas das startups presente no evento se preocuparam em deixar claro que a sua solução não era mais um aplicativo que precisaria ser baixado, ocuparia espaço e estaria recluso, funcionando de maneira alienada de todo o resto do aparelho. O discurso que tem funcionado pelo visto com investidores é, sim, soluções mobile mas que já venham prontas para utilizar, sem criar barreiras adicionais aos seus usuário. De todas formas, uma das promessas que surgiram no evento em termos de “novos twitters” (desde o lançamento do app, todo ano especialistas tentam apontar qual será o novo grande aplicativo lançado no evento) foi o Meerkat que permite aos seus usuários transformarem seus celulares em “emissoras de tv”, distribuindo gravações em tempo real ao mundo todo. Nesse sentido, um dos portais que saiu na frente foi o Mashable, com suas transmissões em tempo real. Veja aqui o que o próprio portal escreveu com alguns potenciais maneiras de usar o aplicativo.

Sistemas proativos

A ideia cada vez mais é: não espere que o usuário pense em fazer algo, faça por ele e já esteja lá com a resposta. Se você entrar em um McDonald’s, na hora que tirar o celular do bolso talvez o cardápio já esteja disponível para você, aparecendo na tela uma lista dos seus últimos pedidos. Devices que estejam prontos para responder aos ambientes foi a grande promessa de muitas startups, entre elas a Lisnr ao fazer um pitch para a própria empresa dos arcos dourados em suas rodadas de inovação.

Nota pessoal: até quando vamos permitir a nossa estupidização? Conheço gente que já não sabe chegar ao próprio trabalho sozinha, pois só utiliza o Waze para o trajeto. Antigamente sabíamos tudo de cabeça, será que não precisaremos mais pensar? Será esse o caminho mais correto a seguir a longo prazo?

A UX das Coisas

Talvez como em nenhum outro ano, começamos a entender que a Internet das Coisas (IoT) tem se tornado cada vez mais presente na vida das pessoas. Lâmpadas que podem ser ligadas e desligadas à distância, utensílios de cozinha que informam quando algo está prestes a estragar ou deve ser reposto, balanças que sincronizam seu peso na nuvem e o mantêm motivado, etc. Basta você entrar no quirky ou kickstarter para ver como nossas vidas pode ser transformada graças a esses objetos inteligentes. A cristalização dessa chegada fica clara quando palestras não são mais sobre as possibilidades da internet das coisas mas como tornar as nossas interações com estes objetos mais humanas e fáceis. Aqui uma delas …

Conteúdo Espalhado

Até pouco tempo atrás o objetivo das grandes marcas ao utilizar as redes sociais era direcionar as pessoas à sua principal plataforma. De acordo com Jonah Peretti, co-fundador do BuzzFeed, isso tem mudado. A estratégia da própria plataforma de notícias e entretenimento agora é fazer com que o seu conteúdo chegue à maior quantidade de pessoas possível, então ao invés de publicar apenas em sua plataforma e em todas as demais colocar links para que as pessoas o acessem é mais fácil para os usuários consumirem e compartilharem a informação que já está a sua frente, sem a necessidade de mais clicks. Jonah mostrou, inclusive, como essa nova estratégia tem se materializado através de cases como o do vestido azul (ou branco?) e do vídeo do presidente Barack Obama.

Pedra, papel e tesoura …

Em palestra do CEO do Evernote Phil Libbin a principal dica foi: evite mercados que tenham muitas pedras. Que? A sua teoria é que, assim como o famoso jogo, o mercado possui três tipos de empresa: tesouras, pedras e papel. As “tesoura” são as iniciantes, startups e que estão tentando tirar uma casquinha do que as “papel” não conseguem fazer bem, por serem grandes, burocráticas e lentas demais. Já as pedras, são empresas que estão em seu segundo estágio, cresceram mas ainda possuem certa agilidade e tem que manter as “tesoura” afastadas enquanto começam a entrar no radar das “papel”, que as querem destruir. Pedras são mais ágeis do que papel, mas menos do que tesouras, porém são muito boas em acabar com elas, por terem mais força e estarem apenas começando a sua história. Segundo Phil, existem muitos mercados sem pedras por aí, ocupados apenas por empresas do tipo “papel” e é aí que estão as oportunidades.

Novos Papéis

Ainda sobre organizações, a onda da Holacracy parece que veio para ficar. Tony Hsieh, da Zappos, deu recentemente um ultimato a seus funcionários: adotem holacracia ou saiam. Não se sabe se na maior empresa a adotar o sistema de gestão até aqui as coisas estão funcionando, mas o interesse nele não para de aumentar e a esperança de empresas até maiores é de que as coisas deem certo por lá para que os modelos antiquados sejam, finalmente, substituidos por algo mais leve, simples, atual e ágil. O que parece até aqui é que no #SXSW as startups não só já sabem o que é e como funciona como estão servindo de laboratório para entender como construir, do zero, uma nova, mais conectada e mais fluída maneira de se trabalhar.

Sustentável é servir

Há algum tempo que o presidente da Levi’s Chip Bergh pediu a seus clientes que fizessem um favor ao mundo e deixassem de lavar as suas calças jeans. Paul Dillinger, Vice-Presidente de Inovação da empresa, explicou essa estratégia e como a sustentabilidade tem entrado em pauta na empresa no painel “Designing for Tomorrow”. Ainda temos um longo caminho pela frente mas a nossa sensação no evento é que, por mais que sustentabilidade seja ainda um assunto relevante, assim como neste texto, ela infelizmente foi caindo em importância. O que nos deixa tranquilos é saber que serviços mais conectados, eficientes e inteligentes, como os do exemplo logístico apresentado em painel por pesquisadores da Universidade de Lund, estão necessariamente nos colocando em um caminho mais sustentável. É o acesso — e não a posse — que se tornará o padrão, transformando produtos em serviços e criando um mundo mais “eco-friendly”.

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Se você chegou até aqui viu que muita coisa interessante aconteceu nos 10 dias de evento. As notas que fizemos são apenas uma pontinha de um iceberg muito maior. A frustração de não ter podido escrever tudo que vimos e ver tudo que queríamos é quase a mesma que talvez você sinta ao não ter tempo de clicar em cada um dos links que colocamos aqui e, garantimos, abrem novas janelas de informação. A simultaneidade e variedade do South by Southwest cria uma empolgação quase de parque de diversões onde sabemos que não será possível andar em todos os brinquedos mas os que sim andarmos podem gerar lembranças eternas. O #SXSW é, certamente o evento mais rico e divertido do mundo para quem trabalha com inovação. Nos vemos em 2016, Austin! 😉

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